Conheci o Pedro quando entrei para a faculdade. Por alturas do segundo ano do curso, o Pedro disse aos seus colegas e amigos que a sua namorada estava grávida. Tinham decidido casar e, inclusivamente, tinham já escolhido nome para o filho (já sabia que era um rapaz).
A dado momento, deixou de aparecer na Universidade. Durante algumas semanas não veio às aulas e, quando regressou, contou-nos, devastado, o seu drama: subitamente tinha deixado de conseguir contactar a namorada. Tentara, primeiro com insistência depois com desespero, contactá-la pessoalmente, por telefone, por carta. Em vão!
Quando se apercebeu do que poderia estar em causa procurou recorrer às autoridades judiciais e policiais que se disseram impotentes para agir.
Quando voltou a ter notícia já tudo estava consumado. A namorada (aparentemente, sob pressão e protecção familiar) tinha abortado.
Recordo-me da raiva, desespero e sensação de impotência com que relatou uma sucessão de eventos que lhe diziam directamente respeito mas à margem dos quais foi implacavelmente mantido.
Infelizmente, o Pedro já morreu pelo que o seu drama não mais será contado na primeira pessoa. Mas vem-me sempre à memória quando se discute o direito exclusivo da mulher a optar pela prática do aborto. Registo-o como um exemplo de como não é justo remeter para a irrelevância a posição do Pai.
A dado momento, deixou de aparecer na Universidade. Durante algumas semanas não veio às aulas e, quando regressou, contou-nos, devastado, o seu drama: subitamente tinha deixado de conseguir contactar a namorada. Tentara, primeiro com insistência depois com desespero, contactá-la pessoalmente, por telefone, por carta. Em vão!
Quando se apercebeu do que poderia estar em causa procurou recorrer às autoridades judiciais e policiais que se disseram impotentes para agir.
Quando voltou a ter notícia já tudo estava consumado. A namorada (aparentemente, sob pressão e protecção familiar) tinha abortado.
Recordo-me da raiva, desespero e sensação de impotência com que relatou uma sucessão de eventos que lhe diziam directamente respeito mas à margem dos quais foi implacavelmente mantido.
Infelizmente, o Pedro já morreu pelo que o seu drama não mais será contado na primeira pessoa. Mas vem-me sempre à memória quando se discute o direito exclusivo da mulher a optar pela prática do aborto. Registo-o como um exemplo de como não é justo remeter para a irrelevância a posição do Pai.



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